Cinquentona e “inquebrável”, Toyota Hilux já foi vendida até pela Volkswagen

É difícil pensar em picapes sem lembrar da Toyota Hilux. Ao longo de oito gerações, a picape (que completa 50 anos em 2018) construiu uma imagem de robustez dificilmente igualada pelas rivais, e fez até a Volkswagen se render aos seus encantos — conforme você descobrirá mais adiante.

A Hilux (nome criado a partir das abreviações de “High Luxury”, uma ironia para um veículo tão espartano) foi lançada em março de 1968.

Foto reprodução

Tinha carroceria sobre chassi, tração traseira e um porte menor do que as tradicionais picapes de Chevrolet, Dodge e Ford, conquistando clientes que precisavam de um veículo mais prático em vez de espaço ou potência.

A segunda geração surgiu em 1972 com um design mais esportivo, mirando nos consumidores mais jovens que viam nas picapes um veículo de lazer. Além do estilo, a oferta de motor 2.0 aumentou a aceitação da Hilux em mercados como os Estados Unidos — onde a picape passou a se chamar apenas “Toyota Truck”.

A terceira geração da Hilux já se adaptava ao mercado norte-americano, trazendo até câmbio automático

A renovação de geração realizada em 1979 trouxe opção de câmbio automático e tração nas quatro rodas. Até ar-condicionado e piloto automático podiam equipá-la no mercado norte-americano.

A grande novidade da linha 1984 foi a quarta geração, trazendo opção de cabine estendida e popularizando a carroceria de cabine dupla fora dos EUA. Mas nada fez a Hilux virar tão popular por lá como sua aparição em uma versão customizada apenas para o filme “De Volta para o Futuro”.

Esta geração, inclusive, ficaria famosa pela participação no programa “Top Gear”, da BBC. O âncora Jeremy Clarkson adquiriu uma picape movida a diesel feita em 1988 (veja abaixo) com mais de 306 mil quilômetros rodados. Fizeram de tudo para acabar com a picape: desceram escadas, derrubaram um piano em cima do capô, afundaram o carro na água do mar, incendiaram e, por fim, colocaram a Hilux dentro de um prédio implodido.

Com mais de 300 mil km rodados, a picape sobreviveu até à implosão de um prédio

Mesmo com a proibição de usar peças de reposição (apenas um kit de manutenção básico poderia ser utilizado pelos mecânicos), a picape não só continuou funcionando como virou uma espécie de troféu do programa, que manteve o veículo em exposição dentro do estúdio.

Uma nova picape surgiu em 1989. Foi esta a primeira Hilux importada para o Brasil e a única fabricada nos Estados Unidos. Ironicamente, ela deixaria de ser vendida por lá pouco tempo depois, já que a Toyota decidiu substitui-la pela Tacoma, um modelo maior e com características mais adequadas aos gostos do público norte-americano.

Quinta geração da Hilux foi a primeira a ser vendida no Brasil — e a última comercializada nos EUA

Naquele ano começava uma das parcerias mais esquisitas da história da indústria automotiva daquele tempo. A Volkswagen firmou um acordo com a Toyota para vender a Hilux com o nome de Taro na Europa. As duas picapes eram praticamente idênticas, salvo pelo famoso logotipo da marca alemã na grade e na tampa traseira.

VW vendeu Hilux como Taro, mas fracassou

A versão de cabine simples com tração traseira era produzida na fábrica de veículos comerciais da VW, em Hannover (Alemanha), enquanto a configuração de cabine estendida 4×4 vinha diretamente do Japão. O acordo foi desfeito em 1992 devido às baixas vendas, e a VW só voltaria a oferecer uma picape média 18 anos depois com o lançamento da Amarok.

A sexta geração chegou apenas em 1997 com leves mudanças estéticas. A Hilux também começou a ser produzida na Argentina, que passou a abastecer vários mercados sul-americanos — como o brasileiro.

Sétima geração da picape assumiu a vocação de automóvel de passeio da Hilux

A maior transformação da história da Hilux ocorreu em 2005, quando a picape definitivamente assumiu sua “vontade” de virar um carro de passeio. Bastante confortável e cheia de equipamentos impensáveis para uma picape algumas décadas atrás, ela virou quase um “Corolla com caçamba”.

A oitava geração está entre nós desde 2015 e deve ganhar em breve a reestilização realizada na Tailândia em meados deste ano.

Fonte: Uol Carros

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