Cores marcantes de carros brasileiros que não esqueceremos jamais

Hoje o assunto é cores de carros, e Dalmo Hernandes da FlatOut aborda o tema como poucos. Recentemente, repetia-se exaustivamente o discurso de como as ruas das cidades eram um mar de carros brancos, pretos e prateados. Dizia-se que o branco era chique (e às vezes custava R$ 5.000, não é mesmo, Hyundai?), o prata era discreto (o Corolla prata segue firme como “carro de tiozão standard“) e o preto era (e sempre vai ser) versátil. Quem queria ousar um pouco, comprava um carro vermelho, e era isso aí.

Só que as coisas mudaram um pouco, desde então. Mais especificamente, no meio da década passada as cores vibrantes começaram a aparecer com mais frequência nos catálogos das montadores. Primeiro de forma tímida, como cores especiais de lançamento, mas depois passaram a ser oferecidas como todas as outras. E elas encontraram seu público, mostrando que as pessoas realmente queriam carros mais coloridos.

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Hoje em dia os carros pintados em cores neutras ainda são maioria, mas há mais gente disposta a comprar carros que se destaquem nesta multidão preto-e-branco, e mais opções para atendê-las. E foi pensando nisso que decidimos lembrar as cores que saíam do lugar-comum e foram marcantes na indústria automotiva nacional.

São muitas cores ao longo das décadas, considerando que nossa indústria automotiva tem seus 60 anos. Por isto, decidimos dividir a lista em partes. E, nesta primeira, vamos viajar pelas cores especiais da Fiat e da Volkswagen – que, acreditem, já rendem assunto de sobra.

Fiat

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Tanto na Europa quanto no Brasil, a Fiat tentou alegrar a paleta de sóbrias e discretas que reinava na década de 1980. Se você reparar nos carros daquela época, vai notar que muitos são grafite, azul escuro, verde escuro, vinho, preto e outras cores elegantes, mas até meio tristes – cores muito utilizadas em carros como o Chevrolet Monza, o Volkswagen Santana ou o Ford Escort. Então, em 1987, foi apresentado o Fiat Uno 1.5R e, com ele, uma ousada pintura amarela com detalhes em preto fosco para acompanhar o motor de 1,5 litro e 87 cv do hatch esportivo, algo que já havia sido feito com as versões mais apimentadas do Fiat 147 na década de 1970.

Com isto, meio que iniciou-se uma tradição dentro da Fiat de usar o amarelo em versões esportivas, continuando a utilizá-lo no Uno 1.6R e até 1994. Naquele ano, foi lançado o Uno 1.6R MPi, que não trazia o amarelo entre suas opções de cor.

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Em compensação, em 1994 foi também lançado o Uno Turbo. Com um body kitexagerado como aquele, nada mais justo então oferecer também uma cor nova, ainda mais chamativa: o Amarelo Exploit, tom metálico com um leve toque de verde que tornava o Uno Turbo impossível de não notar nas ruas (graças à cor e ao desempenho do motor 1.4 turbo, estado-da-arte entre os hatches esportivos brasileiros na época). Além disso, foram feito cinco exemplares do Uno Turbo na cor Amarelo Modena para executivos da Fiat, todos registrados com placa GKU. Segundo consta, o Amarelo Modena utiliza o mesmo pigmento da tinta das Ferrari da época.

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Depois do Uno veio o Fiat Palio, que ganhou um tom de amarelo em 2001, com o lançamento de sua primeira reestilização.

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Em 2004, como modelo 2005, o Fiat Stilo Schumacher introduziu a cor Amarelo Indianapolis, que desde então passou a ser utilizada em outros Fiat da série Sporting, como a Strada e o Siena (ambos equipados com motor de 1,8 litro e vendidos por pouco tempo), o Novo Uno e o atual Palio. Punto e Bravo T-Jet, com motor 1.4 turbo de 165 cv, também foram oferecidos na cor Amarelo Indianapolis.

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Vale citar ainda o Amarelo Citrus, uma das cores de lançamento do Novo Uno, lá em 2010 – famoso “amarelo marca-texto” que foi um dos pioneiros nesta nova leva de cores automotivas vibrantes.

No geral, os carros amarelos da Fiat foram melhor recebidos que o Fiat Mobi, modelo de entrada da fabricante italiana instalada em Minas Gerais (e, de certo modo, o verdadeiro sucessor do Uno) que foi lançado no ano passado e recebeu algumas críticas por seu visual exagerado e seu tamanho diminuto, mais apropriado como segundo carro da família.

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Dito isto, é sempre admirável quando uma fabricante investe em cores ousadas, e isto o Mobi teve de sobra em seu lançamento: as cores Azul Netuno, Roxo Mirtilo e Verde Amalfi (que também parece um tom de azul), que foram tentativas interessantes de sair do lugar-comum.

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O mesmo aconteceu neste ano, com o lançamento do Fiat Argo, que veio para substituir o Bravo: em sua versão HGT, com motor 1.8 16v de 139 cv, há o Azul Portofino, cor bastante vibrante que alguns associaram ao azul característico dos Subaru. Será que foi esta a intenção da Fiat?

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Também merecem ser citados os tons de verde-limão e laranja perolizados do Fiat Palio na época do seu lançamento, em 1996. O design do Palio, arredondado e fluido, era a cara dos anos 1990, e a Fiat tentou construir uma imagem mais descolada para o compacto à medida que os anos 2000 (que eram “o futuro”) se aproximavam.

Volkswagen

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Quando o VW Up foi lançado, em 2014, sua cor mais vibrante era o Amarelo Sunflower (também chamado Amarelo Saturno) que, no Brasil, já havia marcado presença no New Beetle, no fim dos anos 1990.

Era uma maneira discreta de colocar o então novo compacto na onda das cores fortes, algo que não é o forte (pun intended) da VW.

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Sua reestilização foi mais ousada: a versão especial Connect introduziu o Laranja Habanero, tom metálico e vivo que já foi utilizado em um conceito do atual Fusca apresentado no Salão de Nova York em 2015.

Alguns anos atrás, porém, a Volks até ousou na oferta de algumas cores, especialmente para o Gol, o Golf e o Polo, que vieram em diferentes tons de verde – alguns bem pouco discretos, típicos da década de 1990:

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Um destes tons de verde é bastante interessante: o Verde Highway, que alterna entre preto, marrom e verde dependendo do ângulo da luz. Oferecido no Gol GIII nos anos 2000 e depois no Fox, o Verde Highway acabou ficando popular entre os entusiastas na hora de pintar até mesmo automóveis de outras marcas por causa deste efeito.

Tons de amarelo também foram utilizados pela Volks neste mesmo período: o Golf Mk4, lançado no fim de 1998, tinha um amarelo metálico bem parecido com o de outras fabricantes na época, como a Citroën com o Xsara e a Chevrolet com o Astra:

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Dito isto, nem todas as cores marcantes da Volkswagen foram vibrantes. De volta a 1988, houve o lançamento do Gol GTI, primeiro carro produzido em série da indústria nacional a ter injeção eletrônica de combustível, e uma das versões esportivas mais adoradas de todos os tempos no Brasil. Por mais que a cor de lançamento em si, o Azum Mônaco, fosse um relativamente discreto azul metálico, as peças plástica na cor prata e a óbvia exclusividade em conjunto mecânico tornaram os Gol GTI Azul Mônaco mais desejáveis que os exemplares de outras cores naquele ano.

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Por outro lado, o Azul também pode ser uma cor chamativa, como mostra o Voyage Los Angeles, lançado em 1984 para marcar as Olimpíadas de Los Angeles e promover o sedã do Gol, que havia sido lançado em 1981 e ainda cheirava a novidade.

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Foi planejada a fabricação de algo entre 2.000 e 3.000 unidades (a informação varia conforme a fonte consultada), mas foram produzidas apenas cerca de 300 pois, segundo consta, houve rejeição pela cor “chamativa demais”, que logo foi apelidada de “azul tampa de panela”. Hoje em dia, reclamamos das cores apagadas demais. Vai entender…

Fonte: Dalmo Hernandes/FlatOut

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