Você acha que alguém pagaria R$ 350 mil por este esportivo de madeira todo detonado?

Um dos sonhos de qualquer entusiasta é encontrar um barn find — uma preciosidade sobre rodas trancafiada em um celeiro, garagem ou galpão, provavelmente coberta de poeira e ferrugem, porém cheia de potencial. Nem sempre estes achados estão em bom estado (alguns estão praticamente destruídos), mas a ideia, quase sempre, é devolvê-los à sua forma original e, quem sabe, multiplicar seu valor.

Acontece que alguns destes barn finds acabam realmente nos surpreendendo. É o caso do carro que você vê na foto acima — trata-se, claramente, de um protótipo de corrida dos anos 1960 ou 1970, porém seu estado definitivamente não é dos melhores. Faltam tinta, muitas peças e até mesmo um conjunto mecânico, mas nada disto impediu que ele fosse leiloado no último domingo (10) e arrecadasse mais de £ 80 mil, o que dá mais de R$ 350 mil em conversão direta. Ah, e ele é feito de madeira!

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A esta altura você deve ter sacado que não foi um zé ninguém quem construiu este carro, e que ele é realmente especial. Trata-se do primeiro protótipo do Costin-Nathan GT, que foi feito entre 1965 e 1966 e competiu em diversas corridas de longa duração na época e é considerado uma verdadeira maravilha da engenharia de carros de corrida.

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O carro foi uma criação conjunta de Frank Costin, que era engenheiro da Lotus e foi um dos fundadores da Marcos (uma das mais excêntricas fabricantes de esportivos de todos os tempos, da qual falaremos em breve); e de Roger Nathan, que já havia sido piloto e mecânico na Lotus e, depois disso, abriu uma preparadora especializada no Hillman Imp, compacto de motor traseiro que foi vendido entre 1963 e 1976. Com carburadores Weber de corpo duplo, novo comando de válvulas e outras melhorias, Nathan conseguia extrair cerca de 100 cv do quatro-cilindros de um litro.

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Era o motor perfeito para o carro projetado por Costin, que tinha um monobloco feito de madeira compensada tratada com resina (a fim de torná-la à prova de umidade) e subchassis tubulares de metal na dianteira e na traseira para acomodar o motor, a suspensão e os freios. O motor ficava atrás dos bancos e era acoplado à caixa manual de cinco marchas do Hillman Imp, e a carroceria, feita de alumínio, era baixa e aerodinâmica.

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Com Roger Nathan ao volante, o Costin-Nathan GT disputou sua primeira corrida no circuito britânico de Brands Hatch em 1966 e não parou mais — foram seis corridas naquele ano, culminando com uma vitória na Coupe de Vitesse, em Paris, deixando para trás até mesmo os carros da equipe de fábrica da Abarth.

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O próximo passo foi uma tentativa de entrar nas 24 Horas de Le Mans, algo que era bem menos burocrático nos anos 1960 — na prática, era só ter um carro, uma equipe e vontade de correr. Assim, o protótipo foi vendido a um cara chamado G. M. Horsley em janeiro de 1967, que se encarregou de montar um time de pilotos para correr no Circuito de La Sarthe. Não deu certo — depois de quatro horas, o Costin-Nathan deixou a corrida por problemas mecânicos e elétricos. O carro também não se dava muito bem com as longas retas do Circuito de La Sarthe e, caso tivesse terminado a prova, certamente teria sido o último a cruzar a linha de chegada de acordo com relatos da época.

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Frustrado, Frank Costin decidiu abandonar o projeto. Roger Nathan, contudo, seguiu em frente e construiu mais alguns exemplares, desta vez com carroceria de fibra de vidro. Alguns deles sobrevivem até hoje e competem em provas históricas até hoje, mas o original de alumínio é o mais valioso de todos.

Depois do fracasso em Le Mans, o carro ficou na garagem de G. M. Horsley do fim da década de 1960 até poucos meses atrás, quando finalmente a família do já falecido ex-proprietário decidiu vendê-lo. Apesar do estado de conservação lamentável, a companhia de leilões H&H conseguiu vendê-lo por £ 81.224, ou R$ 355 mil — mais que o triplo das £ 25.000 (R$ 110 mil) estimados. Uma vez restaurado, o carro deverá valer muito mais.

FONTE: Dalmo Hernandes/FlatOut

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